quinta-feira, 20 de julho de 2017

A mentira pode ser doença?


É verdade que todos nós já mentimos. Mas depois há a mitomania ou a tendência impulsiva para a mentira. Vamos ver a linha que separa o "normal" do patológico.

Não há uma única pessoa no mundo que não tenha mentido. Não há. Já todos o fizemos. Umas mentiras são mais inofensivas do que outras. Umas são piedosas, ou pelo menos gostamos de achar que são. Outras, nem tanto. A verdade é que há quem minta por tudo e por nada. Mente-se quando se chega tarde ao trabalho e a desculpa é o trânsito, os filhos, os maridos, os pais, e até o cão! Afinal é um clássico culpar o cão.

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Ou seja, a maior verdade de todas é que, sem exceção ... mentimos. Ou maquiamos a verdade, para não ser tão dura. E quem resolver negar esta informação basicamente estaria a mentir.

Mentiras "brancas"?
Há quem defenda que as pequenas ditas distorções da realidade, não têm de ser prejudiciais porque, apesar de tudo, o que fazem é manter a nossa dignidade social - na maior parte das vezes...

Eu pessoalmente acho questionável, a razão: "na maior parte das vezes...", então não é sempre.

Mas, se reduzirmos esse tipo de mentiras podemos melhorar a nossa saúde física e mental, como diz um estudo da Universidade de Notre Dame, onde os participantes, forçados a mentir com menos frequência, sentiram melhorias óbvias na sua disposição.

Bryan Bruno, presidente do Lenox Hill Hospital, de Nova Iorque diz que "mentir pode causar stress para as pessoas, contribuindo para a ansiedade e até depressão".


Cada pessoa mente, em média, uma a duas vezes, por dia, revelam estudos.
Pasme-se: em dez minutos de interação com desconhecidos mentimos, em média, até três vezes. Além disso, segundo uma pesquisa, as pessoas mais extrovertidas e inteligentes são mais propensas a mentir e, no caso de pessoas casadas, o casal mente uma em cada dez interações.
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E, veja bem, isto ainda é considerado ser saudável. Será que é???

E quando mentir é um hábito?
Mas, e quando o mentir se torna hábito?
E quando mentir se torna compulsivo?

Em 1905, o médico e psiquiatra francês Ernest Dupré definiu o conceito de mitomania como sendo uma tendência patológica para a criação de fábulas. As histórias imaginárias do mitômano são, às vezes, tão bem delineadas e induzem tanto à convicção, que quem sofre do mal cria uma realidade paralela tão boa que basicamente passa a acreditar vive nela.

Ou seja, o problema surge quando uma pessoa começa a mentir com clara frequência e entra num ciclo em que as falsas histórias acabam por se tornar um estilo de vida. "A mitomania, também conhecida como mentira patológica e pseudologia fantástica, é a tendência duradoura e incontrolável para a mentira", explica o psiquiatra Coordenador da Equipe de Transtornos Psicóticos do AME Psiquiatria, Deyvis Rocha, citado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (APDM). "O mitômano é aquela pessoa que mente compulsivamente, sejam pequenas mentiras "inofensivas" até histórias mirabolantes extremamente detalhadas".

"A mitomania é também um sintoma associado ao transtorno factício. "esses casos vão desde pessoas que fingem ter um surto psicótico até indivíduos que simulam vários sintomas e sinais de doenças, inventam resultados de exames e falsificam receitas médicas para indicar anormalidade inexistente". As histórias não são usadas para obter qualquer tipo de vantagem ou recompensa, já que nas histórias do mentiroso o tema das aventuras é variado, mas o dito cujo acaba sempre sendo um herói.
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Não se sabe as causas que originam a mentira patológica: a ciência sabe apenas que mentir frequentemente está relacionado a alguns transtornos de personalidade como o antissocial.

Como se trata a mentira compulsiva?

O tratamento pode ser bastante complexo, até porque muitos mentirosos compulsivos não procuram ajuda médica (em geral nem admitem que são mentirosos). Também não procuram ajuda por conta própria, já que acham que não estão fazendo mal a ninguém. Muitas vezes é a família que procura ajuda primeiro tentando aconselhar-se sobre a melhor forma de lidar com o problema.
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Dicas

- Aconselhe-se com um especialista: se tem um familiar ou alguém próximo que se enquadra nas características descritas, esteja atento e peça ajuda.

- Ignorar ou desculpar as mentiras constantes de alguém não o vai ajudar. Nem a si.


Fonte: Revista PH


"Socialmente somos contra a mentira mas secretamente somos a favor". 
Eu discordo.

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